O Museu Nacional mostra o verdadeiro Brasil

Por Roberto Sá*

 

Agora em ruínas, o prédio histórico do Museu Nacional é o fiel retrato de como nós, brasileiros, pensamos na nossa educação, história e cultura e tratamos delas.

 

A verba destinada ao Museu para 2017 não chegou a R$ 400 mil, bem inferior à destinada a diversas outras áreas. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, por exemplo, tem um orçamento de R$ 1,7 bilhão, de forma que gastamos muito mais para que os partidos façam campanha.

 

A culpa pela situação é de toda a nossa sociedade. As empresas investem onde podem ter lucro ou, pelo menos, visibilidade de suas marcas. Se no Brasil temos demanda para shows e eventos, eles serão realizados. Porém, precisamos também pensar quando fomos pela última vez ao Museu Nacional (ou a qualquer outro). Vejo em minhas timelines mais fotos de amigos em museus na Europa do que em nossas próprias cidades.

 

Se você não viu o acervo do Museu Nacional, não é porque o Museu pegou fogo e você não poderá mais vê-los, mas porque você não foi até lá ver quando podia.

 

O desafio agora é evitar que se deteriorem outros aparelhos culturais. A UFRJ, sucateada em diversas áreas, já mostrou não ter condições de gerir aparelhos culturais. O Canecão, por exemplo, poderia gerar renda para instituição, mas a população foi privada desse local.

 

Podemos culpar o governo atual, o passado ou os anteriores. Podemos apontar as verbas desviadas ou investidas em outros lugares. Mas se lembre de ir a museus. Isso incentiva que as verbas públicas e privadas sejam destinadas a eles. A culpa também é nossa, e, hoje, o Museu Nacional, em ruínas, com futuro incerto e triste, mostra a cara do tratamento que damos para a cultura no Brasil.

 

* Pesquisador do Laboratório de Cidades Criativas

 

Imagem: Tribuna do Paraná

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