Criatividade e sinergia no varejo

Por Isabella Vasconcellos*

 

Com uma população estimada de 234 milhões de pessoas distribuídas em 5.570 municípios, o Brasil segue oferecendo desafios para os que se dedicam ao varejo.

 

Grande parte desses municípios não tem população suficiente para justificar a abertura de qualquer negócio, seja varejo em geral ou serviços de educação privada. Do total de municípios, 3.804 têm menos de 20 mil habitantes e são a maioria (68,3%). Existem municípios com menos de mil habitantes, como é o caso de Serra da Saudade (MG), com 812 habitantes; Borá (SP), com 839; e Araguainha (MT), com 931.

 

Existe uma forte concentração populacional no Brasil:  56,5% dos habitantes (117,2 milhões de pessoas) vivem em 310 municípios (5,6% do total).

 

As empresas querem expandir sua operação nacional para além dos grandes centros urbanos, onde o custo de operação é muito alto. Porém, dois fatores aumentam o desafio das empresas no Brasil: a crise econômica e o baixo valor da renda per capita do brasileiro, atualmente em US$ 8.649. O valor é muito baixo se comparado aos EUA (US$ 57.638) ou à zona do euro (US$ 35.008), segundo o Banco Mundial e a OCDE.

 

Mas como lidar com os desafios ?

 

O e-commerce pode ser a solução. Ele tem crescido consistentemente, mas, ainda assim, não é suficiente para atender a essa população espalhada em um território com dimensões continentais.

 

O grupo Uni.co – uma holding de varejo e dono das marcas Imaginarium, Puket (meias e moda íntima, moda praia e acessórios), Ludi (Papelaria e presentes) e MinD (decoração e design) – buscou uma solução criativa para conseguir abrir lojas nas cidades com menos de 200 mil habitantes.

 

A empresa uniu o sortimento das marcas Imaginarium, Puket e Balonè de acessórios sob a marca Love Brands. As diferentes empresas dividem os custos da loja e geram receita, permitindo superar o ponto de equilíbrio da operação. Seria impossível alcançar esse resultado de forma independente. Até 2017, já eram 50 lojas dentro desse modelo.

 

Condições adversas demandam soluções criativas e parcerias.

 

* Pesquisadora do Laboratório de Cidades Criativas.

 

Imagem: Love Brands

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